Estratégia de audiência e arquitetura de experiência para a SKY Brasil. O trabalho de design foi estabelecer a lógica entre dados e experiência: transformar sinais comportamentais em segmentos de audiência e converter esses segmentos em fluxos de navegação personalizados, cada um alinhado à intenção real de cada assinante.
A SKY Brasil operava uma Plataforma de Gestão de Dados (DMP) que coletava sinais comportamentais primários em seu site, app e propriedades de mídia. A infraestrutura existia. O que faltava era interpretação: ninguém havia transformado esses dados em decisões de experiência. A oportunidade de UX era se tornar a camada entre analytics e arquitetura, definindo o que cada sinal comportamental significava para a resposta do site a cada tipo de usuário.
Os dados do DMP permitem a personalização do próprio site. Consumidores distintos enxergam fluxos de navegação e hierarquias de conteúdo diferentes, determinados por sua assinatura comportamental. O desafio de design era definir o que cada uma dessas variações deveria conter.
Dados comportamentais só orientam a experiência quando alguém define as regras. Minha contribuição foi a taxonomia de audiência: quais segmentos são relevantes, como são construídos a partir dos sinais e qual deve ser a resposta de UX para cada um.
Dados comportamentais → Segmentação de audiência → Estratégia de experiência → Fluxos personalizados. Cada camada dependia da clareza da anterior.
A fase de descoberta começou com alinhamento interfuncional: estratégia, design e ciência de dados mapeando a jornada do assinante da SKY, da aspiração à conversão. O objetivo não era entender o que os consumidores clicavam, mas por que clicavam e o que esperavam encontrar ao fazê-lo.
Em seguida, percorri as camadas de analytics da SKY: pontos de abandono no funil de compras, sinais de intenção no tráfego orgânico e caminhos de fluxo comportamental entre áreas de conteúdo. A análise comportamental foi a mais reveladora. Consumidores que chegavam por conteúdo esportivo se comportavam de forma completamente diferente dos que chegavam por buscas comparativas de preço. Não eram o mesmo cliente, mas o site os tratava como se fossem.
Mapeamento dos pontos de abandono no funil. Identificação das etapas com maior perda de assinantes em potencial e diagnóstico das causas: conteúdo, UX ou desalinhamento de audiência.
Análise dos termos de busca que geravam tráfego orgânico. Identificação de sinais de intenção que revelaram motivações radicalmente distintas chegando à mesma página inicial.
Rastreamento dos caminhos de navegação entre áreas de conteúdo. Identificação de assinaturas comportamentais que distinguiam conversores de alta intenção de simples visitantes, base da taxonomia de segmentos.
Cruzamento de dados comportamentais com padrões de engajamento de conteúdo, esportes acompanhados e entretenimento consumido, para construir o raciocínio por trás das assinaturas comportamentais.
Os dados se consolidaram em três clusters comportamentais distintos, cada um com uma relação diferente com o produto da SKY, um estilo de decisão próprio e uma exigência de UX específica. Os segmentos não eram personas de marketing. Eram modelos de interação, cada um mapeado para um layout de homepage diferente, uma hierarquia de conteúdo distinta e um caminho de conversão específico.
Alta intenção, sensível a preço, orientado por comparação. Chega por conteúdo promocional ou buscas comparativas. Precisa de clareza imediata sobre ofertas vigentes e vantagens competitivas. A decisão é rápida.
Maximizador de valor, deliberado, analítico. Compara planos, lê perguntas frequentes, calcula custo por canal. Precisa de uma arquitetura de informação completa com detalhamento claro dos planos.
Orientado por conteúdo, aspiracional, entretenimento em primeiro lugar. Chega por filmes ou entretenimento, não por buscas de produto. Precisa de uma experiência liderada por conteúdo, onde a afinidade com a marca antecede a transação.
Com os três segmentos definidos e validados, desenvolvi um documento de estratégia criativa para cada cluster, definindo o tom de comunicação, as regras de hierarquia de conteúdo, a estrutura visual e o fluxo de navegação que o DMP deveria entregar a cada perfil. Não eram wireframes. Eram frameworks de decisão que a equipe de tecnologia convertia em regras de DMP e a equipe de design executava como variações de interface.
A estratégia de audiência produziu resultados operacionais que transcenderam o brief inicial. A taxonomia de segmentos e as regras de experiência tornaram-se infraestrutura compartilhada entre as equipes de dados, marketing e tecnologia.
Trabalhei neste projeto numa função de Senior UX com foco em arquitetura de experiência, numa fase da carreira em que as lições ainda chegavam em tempo real. Olhando para trás, consigo nomear com precisão o que este projeto realmente era: transformar complexidade em clareza, e clareza em decisão.
O instinto em projetos carregados de dados é deferir para os analistas. Este projeto me mostrou que a habilidade mais difícil e mais importante é construir as perguntas que tornam os dados significativos e converter as respostas em decisões de experiência que stakeholders não técnicos consigam executar.